Por que é necessária uma abordagem decolonial na educação infantil?
Como um projeto de narração de histórias multimídia, nós nos organizamos em torno de uma abordagem decolonial porque ela centraliza não apenas o conhecimento indígena, mas também outros grupos marginalizados afetados pela expansão colonial. Ao fazer isso, ela oferece uma abordagem à educação que, historicamente, tem sido deixada de lado ou tratada como uma reflexão tardia. O trabalho do filósofo brasileiro Paulo Freire expressa alguns desses valores fundamentais. Ele foi orientado para a educação e para as implicações do colonialismo e das estruturas de poder opressivas; delineou ferramentas como unidade, compaixão, organização e síntese cultural para capacitar os mais afetados por instituições educacionais desequilibradas. Isso nos permite destacar alguns dos grupos mais marginalizados em nossas metas educacionais e, ao mesmo tempo, beneficiar o coletivo maior, defendendo valores fundamentais que se concentram no clima, na eco-justiça e na sustentabilidade; na equidade e igualdade racial e étnica; e em narrativas de motivação não capitalista.
Como isso pode beneficiar as crianças na compreensão e apreciação de diversas culturas, perspectivas e histórias?
Um modelo de pesquisa publicado no AlterNative: an International Journal of Indigenous Peoples em 2020 explorou "os benefícios, as barreiras e os recursos para envolver os conhecimentos indígenas na educação e na pesquisa científica" e encontrou pontos em comum de "experiências individuais [tecidas] em uma história coletiva maior e intergeracional de sobrevivência, adaptação, resiliência e regeneração". Promover uma maior coesão com essas experiências em escala social é a antítese de muitos problemas modernos e globais causados pela história do colonialismo, como a degradação do clima, a exploração dos direitos dos trabalhadores e os sistemas predominantes de opressão. Esses problemas podem ser associados a várias estruturas educacionais iniciais, como o individualismo, a priorização do aprendizado de habilidades técnicas, o intercâmbio cultural superficial e o patriotismo cego. Esses sistemas decoloniais e focados nos indígenas para a educação infantil podem estabelecer a base para uma sociedade que valoriza o progresso coletivo em detrimento do individualismo e da exclusão marginal. Isso também traz o intercâmbio cultural, não como uma ferramenta inovadora (como o ensino de um idioma secundário para se reproduzir em uma sociedade), mas como um pilar central da cidadania (promovendo empatia e compreensão das diferenças culturais, bem como habilidades técnicas como o aprendizado de idiomas quando o intercâmbio cultural é introduzido).
A conclusão
Em conclusão, a iniciativa TALES está produzindo plataformas como a World of Us com essas abordagens decoloniais e interdisciplinares para criar uma experiência de software exclusiva e de código aberto. É um mundo digital de intercâmbio cultural, valor e apreciação que centraliza as identidades indígenas e marginalizadas em seu núcleo. Conectar os jovens por meio desses espaços educacionais digitais dedicados em uma rede global é algo que ainda está por ser feito, e esperamos que possamos usar o poder da narração de histórias para isso.